Tenho nenhum regardo pelo meu corpo.
Tenho nenhum regardo pelo tempo.
Eu ouço as palavras, mas elas não me fazem sentido.
Quando me tocam, me vejo insensível.
Meu paladar me engana.
Ignorante, quase não dou valor ao meu olfato.
Só me resta os olhos.
Os quais querem enxergar mais do que minha mente entende.
Presos em tão simples máquina, expostos a rapidez do universo.
Como se pode então entender o valor de nossa existência?
Bati na porta ao olhar pro teus olhos.
Pensei em ter visto ali, alguém.
Bati na porta ao olhar pro teus olhos.
Escutei no seu chamar, à dúvida que se mantém.
Bati na porta ao olhar pro teus olhos.
Senti em minha mão a força que não te convém.
Bati na porta ao olhar pro teus olhos.
Minha garganta a limpar, tinha no gosto, o seu desdém.
Bati na porta ao olhar pro teus olhos.
Esperei e esperei, e ali, já não havia mais ninguém.
Lelo Lourenzo